Quem vive

Os moradores em situação de rua Patrícia, Carlos, Nilo e Leandro (Foto: Manoella van Meegen)

Os moradores em situação de rua Patrícia, Carlos, Nilo e Leandro (Foto: Manoella van Meegen)

Um terminal de ônibus é local de passagem para a maioria das pessoas. Alguns, porém, têm no Parobé algo que é mais que um mero detalhe no dia, lá é o lugar onde elas literalmente vivem. Debaixo da estrutura metálica do terminal, Patrícia, Leandro, Carlos e Nilo passam seus dias e moram no meio da correria diária de milhares de pessoas.

Patrícia conta que mora no terminal por opção. Ela prefere a liberdade que a vida no Parobé lhe proporciona.

Como estão em um ambiente movimentado, muitas pessoas param para ajudá-los. Nilo, de 55 anos, conta sobre essa solidariedade dos porto-alegrenses com eles.

Justamente da solidariedade que Carlos, o cozinheiro do grupo, consegue todos os alimentos para as refeições. Ele passa de banca em banca do Mercado Público, e já é conhecido por lá. A carne, as verduras e os legumes que ele arrecada são preparados num fogão improvisado bem ao lado do terminal, na Praça XV. No latão de tinta, sopa para esquentar. E ali, não há distinção. A comida é para todos que vivem no Parobé, sem nada a ser pago por isso.

Carlos é o responsável pela alimentação dos moradores do Terminal (Foto: Manoella van Meegen)

Carlos é o responsável pela alimentação dos moradores do Terminal (Foto: Manoella van Meegen)

No terminal, o grupo passa o dia. À noite, entretanto, vão para outros lugares do Centro Histórico, que são considerados “mais seguros”.

E quando perguntados sobre dormir num albergue, Nilo e Leandro afirmam que não podem alojar-se lá o tempo que gostariam, que devem acordar e logo sair.

Mesmo com as dificuldades, eles se ajudam e a vida continua. Carlos, enquanto mostra onde prepara os alimentos para os “velhinhos”, fala da bíblia, canta rock brasileiro e revela seu lado poeta. Ele recita um poema que diz ser de autoria própria.

E sobre os perigos da rua, Carlos é simples: “a rua não é ruim, ela só é ruim quando a gente é ruim”.


A Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC), mantida pela Prefeitura de Porto Alegre, faz o acompanhamento dos moradores em situação de rua através de diversos mecanismos. Um deles é o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que oferece amparo a pessoas em vulnerabilidade por meio de ações variadas de inclusão.

A pedagoga Patrícia Mônaco é responsável pelo serviço especializado em abordagem social para quem vive nas ruas do Centro Histórico, pelo CREAS da região. O projeto busca restabelecer vínculos entre os moradores e familiares e a comunidade.

Patrícia reconhece o Terminal Parobé como um ponto de permanência dos moradores, diferentemente de outros locais do Centro:

Vídeo: Manoella van Meegen

A equipe da FASC também observou que os moradores do Terminal são bem aceitos pela população. Eles são uma espécie de vigilantes do ponto:

Vídeo: Manoella van Meegen

Segurança, alimentação e o banheiro disponível no Terminal Parobé são apontados como os principais motivos que levam os moradores a escolher o ponto como casa.

Vídeo: Manoella van Meegen

Seis educadores e Patrícia, a referência técnica da equipe, são os servidores que fazem a abordagem social aos moradores em situação de rua. Segundo a pedagoga, o grupo é bem recebido no Terminal.

Vídeo: Manoella van Meegen

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